MúsicaBruta Flor
Bruta Flor
Bruta Flor
Ficha Técnica
Produção e Direção Artística: André Morais
Gravado no ano de 2011 entre Brasil e Holanda.
Mixagem: Giulian Cabral
Masterizado por Carlos Freitas, Estúdio Classsic Master.
"Me impressiono com a sensibilidade das suas escolhas e com a exatidão das suas interpretações. Em cada uma das belas canções compostas, revelações veladas de um grande artista.A arte respira em cada faixa. Forte como uma pétala e frágil como um voo coletivo de pedras, sua bela voz é uma grande descoberta. O disco é um oceano de singularidades, de delicadas somas entre o amor e a sensualidade. Na pele e no sentimento de tudo".
Lau Siqueira, poeta
Ouça o Disco
Sobre
Baseado no espetáculo teatral de mesmo nome, um monólogo-musical onde o ator vive um trovador que conta e canta sua história, Morais compõe canções inéditas em parceria com importantes nomes da música brasileira: Carlos Lyra, Chico César, Sueli Costa, Ná Ozzetti, Edu Krieger, Marco Antônio Guimarães, Ceumar, Giana Viscardi e Milton Dornellas. Também faz releituras de Villa-Lobos e Bach, além de apresentar de forma dita versos de Paulo Leminski, Emily Dickinson, Baudelaire e Caio Fernando Abreu
Com as participações das cantoras Tetê Espíndola, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti e Ceumar, além das adesões dos músicos André Mehmari, Nonato Luiz, Sueli Costa, Toninho Ferragutti e do Quarteto Pererê, Bruta Flor é um trabalho que tece sensível encontro entre a palavra teatral e a palavra em harmonia.
Plataformas
Faixas a Faixa
Essa canção abre meu disco num apelo. “Ei, você, me ame agora…”. Achei que seria forte e bonito começá-lo assim, chamando para perto, abrindo os braços. Me ame como sou, como estou, como fui “sem pele, sem lábios, me ame assim: dilacerado”. É uma poesia de um lugar muito íntimo, que às vezes nem eu mesmo consigo acessar, e não há o que explicar, só sentir. A canção é uma parceria minha com Lucina, compositora que tanto admiro, e que entende minha poesia como ninguém. No belo piano de Herlon Rocha, se unindo ao violino de Renata Simões, ao baixo de Iradi Luna e aos sons eletrônicos de Didier Guigue, tudo foi construído coletivamente, deixando fluir como água.
Delicada e agressiva, a guitarra de Pedro Medeiros conduz, vibra, e eu canto “confesso, no meu verso há um quê de perverso…”. A canção é livre, solta, o arranjo não tem compromissos. “A solidão dissonante”, que está nos versos, é uma busca, as notas parecem fora de lugar, as palavras são cantadas e ditas, deixando vibrar. Recito na faixa um poema de Mia Couto, forte, amoroso, que me toca muitíssimo, e que se integra à canção de forma sublime. Na participação incrível de Naná Vasconcelos, cheia de sussurros, gritos, gemidos e graves percussivos, tudo se une para a criação de um universo dissonante, uma dança à beira abismo.
É um poema sem fôlego. De um amor à vida, a alguém, ao ato de se libertar, e de uma dor que não cabe no peito. “Meu coração bate sem medo, me sai pela boca, foge da prisão do peito…”. Explicar ou relatar sobre o fazer poético é sempre pequeno, só digo que aqui as palavras são para mim puro sentimento. A canção vai sendo conduzida com densidade pelo piano delicado e quase erudito de Herlon Rocha, e voa nas notas agudas da viola de arco de Ulisses Silva. O baixo acústico de Victor Mesquita dá o peso necessário e eu canto como quem se liberta.
Parceria minha com Chico César, a canção é um tango rasgado, cheio de libido. O acordeon de Helinho Medeiros se une ao baixo de Victor Mesquita e ao violão de Pedro Medeiros numa pulsação forte, vibrante, cheia de desejo. A voz de Elza Soares traz a aspereza e o respiro dramático perfeitos, elevando a faixa a um dos pontos altos do disco. Ouvir minha voz se unindo a dela é algo emocionante. “Do sublime ao veneno…”.
Aqui a poesia é doída, sem subterfúgios, de uma verdade direta e sem rodeios. “Eu te traí, meu bem, no primeiro trem para o abismo…”. A confissão do eu-lírico se faz cortante, embora o amor ainda esteja pulsante, latejando. O arco passa pelas cordas do baixo acústico de forma melancólica, o violão insiste em soar os baixos e o piano traz a delicadeza do ser que confessa seu sentimento mais íntimo. “Sem meias palavras, te digo, te amo como respiro…”.
Essa canção é cheia romantismo. Leve, suave. Convida à dança. “Dança comigo uma noite em claro…”. Parceria minha com Michel Costa, artista paraibano e amigo sincero, ela tem um espírito afetuoso e terno, como meu querido amigo parceiro, e adoro ter esse respiro no disco. O piano é condutor dessa delicadeza, o violão de aço faz a canção abrir os braços, enquanto o baixo faz notas longas e lânguidas com o arco. Os versos, sem medo, se declaram. “Aqui estou eu, despudorado…”.
Deserto é fortemente dolorosa. Canção de laços desfeitos, de rompimento e solidão. “Sou eu aquele cavalo negro, a correr no deserto do amor desfeito…”. As imagens vibram, como num filme, o amor em estilhaços ascende a liberdade do ser solitário na vida. Parceria minha com Seu Pereira, grande artista paraibano, que deu uma força surpreendente ao que escrevi. O violão ressoa forte, sem pudor. Mais uma vez a participação de Naná Vasconcelos traz uma densidade vibrante para o arranjo, com seus tambores e galopes.
Quando recebi a canção, feita por Giana para meus versos, ela era nua, sem harmonia, só uma voz doce e apaixonada cantavam as notas. Ela me confessou que estava se apaixonando quando colocou melodia em meus versos, fiquei emocionado com seu sentimento, estava na sua voz. Quis ser fiel a ela e gravamos apenas em voz e violão. Eu e Pedro Medeiros numa simbiose sublime, na união de cada respiração. Os versos são o meu olhar, a minha crença na vida, no amor e no outro. “Creio no acaso sagrado que nos bota lado a lado…”.
Essa é uma canção de amor. Pura e simplesmente. Embora esteja longe de um amor romântico a dois. A letra relata uma noite de orgia entre três ou quatro pessoas, no chão, a trocar carícias, gozos e solidões. Imagens como “uma barba roça na minha, uma mão se encaminha…” ou “… deitados sobre o assoalho, ao revirar dos abraços…”, desenham um universo de puro sexo e afeto. Seu Pereira, novamente conseguiu captar bem a delicadeza e sensualidade do poema e trouxe uma melodia que baila lenta, leve. O arranjo une baixo acústico, guitarra, bateria e voz, gravados juntos, deixando o êxtase dominar.
Essa foi a primeira parceria que surgiu com Lucina, e é bonito iniciar e terminar o disco com o nosso encontro, porque ele foi e é forte, nossa irmandade artística é muito importante pra mim. A canção é forte, densa, e apostei apenas num voz e piano. Eu e Herlon Rocha gravamos juntos, sentindo a respiração do outro, e seu piano é emocionante. Deixo os respiros e as pausas acontecerem no tempo da emoção. “O poeta guarda no verso o seu delito…”, momento chave desse trabalho, que mostra bem o universo íntimo construído nessas 10 canções. Deixo aqui meu recado.